30 de maio de 2011

Afabilidade

Hoje espalhei poemas
Pelos ares
Pelas casas
e para os amigos
Centelhas de mim
em um pouco de nós
Ser outro
Ser teia
Energia que emerge
e espalha
que alumia
Lareira em brasas
Amizade, este enredo
que nunca falha
Roteiro in motion entre nós

25 de abril de 2011

a flor assexuada

existe flor sem sexo?
existe dor sem amor?
delírio decantado
em um vaso de capim
eu, lírio de marfim

14 de abril de 2011

O gozo de Hilst


Hilda em seu amor profético
revelou abertamente o orgasmo
por Deus

Os hindus exalam o amor erótico
numa arte que desvela uma gama
de seres sagrados

Eu também a esse desejo almejo
Sinto a vida como um grande jogo
Refaço as regras
E recrio a criação



ORAÇÃO


Penetras-me então
oh Mãe Natureza
pela cabeça ou pelo sexo
e por todos os eixos

meu apelo vem
das únicas ferramentas
que tenho em mãos

Dança dor
Suor respiração
Letras impunes

Letras que se querem intangíveis
                                                    – tão limitadas

Visível e voraz
quero ser
guerreira alada
santa esquizofrênica
heroina assexuada

e tudo o que ainda não tiver condições de saber

uma Vênus aquariana não tem sana...

tejas

Cigana
saia em véus
com tuas cores verdes
rodas em mim


Cigana
da tez dourada
adornada com pedras
cor de oceano

Gira tua mandala de fogo
sacode as marés
e faz vibrar o mundo
num átimo de segundo


Agora que tu és
habitas a paisagem
de minha imaginação


Oh, Cigana
da boca rosada
de lábios maduros
e seios sisudos


Forte é teu olhar
Desmanchas tua pele
camaleoa que és


Sois mil sois
Sejas
         Tejas
                  Amanhecer
                  - em terras orientais


Cigana
cabelos soltos ao vento
coordenando meus passos
derrubas tabus
- um a um


Ao redor de meus seios
adornados com flores
guirlandas de anil
jorras oceanos
jorras

10 de abril de 2011

a poética do olhar

em meio à relva
me faço
             – a cada instante
não estou preocupada
com o sentido
com o tamanho
me interessam
a forma
a textura
o tátil
o volátil
o sem rumo
é mais um pensar
sobre os que acham o prumo
e depois desviam
falo dos desvínculos
das reverberações
do pré-salto
da adrenalina
de um assalto
da paranoia
e da presença
não falo da rebeldia
dos tolos
que ainda mamam nas tetas
estatais e paternais
clamo pela vida do louco
pelo olhar do leão
                    - entre cordeiros
aos que jamais se ajustam
aos que aspiram
e se atiram
aos que se entregam
e sentem
aos que mentem
e se aprumam
falo sobre o nada
sem ter para...
quero ouvido
afeto
visão



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